terça-feira, 30 de junho de 2009

A Alta Definição


Demorou...demorou! Mas chegou. Há aproximadamente 2 meses recebi o email da SKY, prestadora de que sou cliente há pelo menos 10 anos (se contarmos com a extinta Directv) sobre a chegada do receptor de alta definição. Já esperava por essa notícia desde a chegada da tecnologia pela NET. Como nunca fui cliente desta última, não vou criticá-la ou elogiá-la, apenas comentando os canais e a programação em alta definição da Sky.
Vale primeiro ressaltar a diferença entre a TV digital e a TV em alta definição. A Sky e a Directv já surgiram como provedoras de sinal digital. A Net, alguns anos depois começou a oferecer também o sinal digital. A televisão em alta definição é um serviço novo no Brasil, oferecido primeiramente apenas pela NET e agora pela Sky.
Quando comparamos a qualidade de imagem do sinal digital convencional com o sinal digital em alta definição, podemos fazer a seguinte analogia: a imagem do sinal digital convencional é comparável à do DVD e a imagem do sinal digital em alta definição é comparável dos discos blurays.
Para se ter uma idéia de como a Sky considera importante a oferta do sinal em alta definição, olha só quem foi chamada para ser a garota propaganda da campanha de lançamento:
Dispensando qualquer legenda, continuo o post. A Sky oferece 10 canais em alta definição. São eles: HBO, HBO HD, MGM HD, SPACE HD, TNT HD, ESPN HD, VOOM, FOX+NatGeo, HD Theater (Discovery), SEX ZONE HD.
A pergunta que sempre é feita nesse momento é: vale a pena pagar um pouco a mais para ter estes canais em alta definição? A melhor resposta que encontrei até o momento é: depende do que você espera quando assiste à televisão. Vamos falar canal por canal para tentar ajudar.

A HBO HD possui uma programação mais voltada para suas séries originais tais como True Blood e Em Terapia. Sua programação também inclui os últimos filmes apresentados pelo canal HBO principal. A imagem é excelente porém inferior à de outros canais em alta definição. Nos primeiros episódios da apresentação da série Alice, a imagem era visivelmente granulada. Não era possível saber, porém, se o problema era da transmissão do sinal ou do próprio canal. Com o passar dos episódios, porém, a imagem melhorou muito e nos últimos já se podia dizer que tinham uma imagem com qualidade de alta definição.

A HBO que não tem HD no seu nome mas cujo sinal é transmitido em alta definição possui a mesma programação daquela que nem tem o HD no nome nem tem seu sinal transmitido em alta definição. Difícil entender? Bom: é a mesma programação da HBO que você provavelmente tem mas em alta definição. Imagem excelente, com uma programação que às vezes inclui filmes que não foram feitos para ser transmitidos em HD. Uma vantagem desse canal é que, pelo menos pela Sky, a HBO convencional (canal 71) possui uma imagem ruim mesmo quando comparada à imagem da HBO 2.

Este canal eu deixo para o meu pai. Um dos gêneros de cinema pelo qual eu sou menos me interesso é o faroeste. Nada contra Sergio Leone, mesmo porque se um dia passar na MGM "Era uma vez no Oeste" em alta definição, count me in with popcorn. A imagem é relativamente melhor que a da MGM convencional, mas ainda assim não é comparável com a real (se assim a podemos chamar) imagem em alta definição. Mas de vez em quando há um filme bom passando no canal.

A programação da TNT já é um pouco melhor. Há alguns dias transmitia O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei, um filme que ainda fica maior com a qualidade de imagem em alta definição. O que mais espero na verdade para este canal são as premiações, principalmente o Oscar 2010. Não sei se transmitirão em alta definição mas há sempre a possibilidade. A imagem em relação à TNT convencional é muito melhor, mas ainda não há a possibilidade, assim como na outra TNT, de legendas em português. As opções então são: ou você entende inglês, ou assiste dublado.

A imagem da ESPN HD e da Voom talvez sejam as melhores entre os 10 canais oferecidos em alta definição pela SKY. O único problema desses dois canais? A programação. Ok! Não sou o maior dos fãs de esportes, mas de vez em quando assisto a partidas da seleção de futebol e vôlei. Mas como o canal ESPN HD é internacional, a maior parte da programação é ocupada por partidas de baseball, futebol americano e basquete. Tirando esta última modalidade, não entendo nada das outras duas. Mas o canal é bom para ver a que ponto chega a qualidade da imagem em alta definição.

Outro exemplo de excelente imagem com péssima programação é a Voom. Digamos que a Voom é aquele canal que quis ser uma Discovery mas com uns documentários "B Style". Zapeando pela programação do canal neste exato momento (23:40 do dia 30 de junho), temos nas próximas horas: Classic Racers - uma corrida de 3 horas para carros clássicos dos anos 50 e 60; A Arte de Jogar - Voe sobre Manhattan e salve Nova York no SpiderMan 3; Thank you, dude...but not for me.


Bom para quem gosta de FOX e bom para quem gosta de NatGeo. Antes eu até assistia a 24 horas mas não dá mais. Simpsons eu nunca gostei. Documentários de vida selvagem nunca foram meu forte. Mas as imagens do canal estão entre as melhores. Espero que a terceira temporada de Dexter saia do FX e passe para Fox e, de preferência em alta definição. Ao que tudo indica, Dollhouse estréia na Fox: será que em alta definição? Mas ponto para o canal que transmitiu X-Men III em HD.

O canal em alta definição da Discovery cai na mesma situação que a NetGeo e a MGM: a primeira pelos documentários que não me atraem e a segunda porque quem assiste à Discovery aqui em casa é o meu pai. Assim como o canal anterior, porém, a imagem é excelente.

Sobre esse canal eu não tenho muito o que falar uma vez que se passei 10 minutos durante esses dois meses assistindo a ele, foi muito. Acredito que seja nele que é transmitida a série Battlestar Galactica que todo mundo fala que é boa mas que, apesar de inclusive já ter utilizado o receptor para gravar alguns episódios, ainda não vi nenhum. (mais sobre os recursos de gravação, abaixo no final do post)

A indústria pornográfica, pelo menos a americana, sempre acompanhou as mudanças tecnológicas. Quer saber mais sobre o assunto? Assista a Boogie Nights, de Paul Thomas Anderson. Não, não é um filme pornô. Muito pelo contrário: é um ótimo filme sobre a indústria pornográfica americana nos anos 60 e 70, que inclusive foi indicado a alguns Oscars. Para novamente não ficar para trás, a indústria pornô lança um canal em alta definição. Na visão do blogueiro que vos fala, da mesma forma que quem assite a um filme pornô não quer saber de historinha (ou não), 1080 ou 720 linhas de difinição de imagem não farão a menor diferença. FYI: o canal veio bloqueado e não consegui até hoje desbloquear. De qualquer forma, acho que não estou perdendo nada.

Uma vantagem que já vinha sendo oferecida pela Sky era a possibilidade de gravação de programas para assisti-los nos momentos livres, o Sky+. Eu não possuia esse serviço e com a SKY HD ele foi mantido. É o TiVo americano. Além de poder gravar um filme através do controle remoto, ou fazer uma gravação recorrente de uma série sem se preocupar sobre os horários de cada uma delas, você pode assisti-las quando quiser, e não só às 11 da noite de um sábado quando a Sony transmite Saturday Night Live só porque o nome do programa começa com Saturday. Outra vantagem: o cliente pode se cadastrar no site da Sky e solicitar a gravação de qualquer programa pela internet caso o receptor esteja conectado à linha telefônica: é a tecnologia. A lista abaixo é apresentada no site da Sky para gravação à distância.

Acabei de abrir a minha lista de gravações e percebi que hoje era dia de Damages Episódio 4. Vejo no fim de semana. Há ainda Em Terapia com a sessão da April e no momento o receptor está gravando o décimo segundo episódio de True Blood.

No veredicto do blog: além do ótimo serviço prestado pela Sky (e olha que não trabalho lá nem tenho parente que trabalhe), hoje vale a pena instalar o receptor de alta definição caso já possua televisão Full HD.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Em Terapia - Segunda Temporada

It's not TV. It's HBO! Este é o slogan do canal cuja programação tem sido a melhor da TV em duas décadas. Apesar de tal slogan cair como uma luva para o canal, arriscaria dizer que um ainda melhor seria: It's not TV. It's Art!

Há alguns anos assisti a uma entrevista do Paulo Autran, provavelmente no canal Cultura, em que o ator dizia: o teatro é a arte do ator, o cinema é a arte do diretor e a televisão é a arte do marketing (ou alguma coisa parecida). Na época da entrevista, quando eu ainda não possuía TV por assinatura, concordei com a afirmação. Hoje, depois de um canal de TV oferecer em sua programação séries originais, ou seja, produzida pelo próprio canal, como Família Soprano, A Sete Palmos e minisséries como Band of Brothers, Angels in America e John Adams, tenho a convicção de que é possível "vender" arte na Televisão.

Mais uma prova disso está nas duas séries produzidas atualmente pelo canal que chamam a atenção: True Blood e Em Terapia. A primeira deixo para outro post uma vez que, apesar de já ter me viciado, ainda estou na metade da temporada. O foco deste post é Em Terapia, cuja segunda temporada a HBO apresenta de segunda a sexta.

Uma primeira temporada impecável deixa sempre a expectativa por uma segunda ainda melhor. Na maioria das vezes tal expectativa é frustrada, algumas vezes ficamos satisfeitos e raríssimas vezes ela é superada. Como estamos falando de HBO, temos aqui o terceiro caso.

Todas as histórias que lemos em um livro, num jornal ou vemos em um filme tem em comum o fato de o personagem central ter um problema que o leva de um estado original a um final, independentemente se aquele problema é solucionado ou não. A questão central que nos leva a acompanhar tal história não é o problema em si, mas como o personagem chega ao final da história de uma determinada forma.

E como melhor falar de problemas que entre quatro paredes, num consultório, durante uma terapia? Assistindo à série durante essas duas semanas, problemas são o que não falta. Assisto pelo menos duas vezes cada episódio, mas a sensação que fica no final de cada um é que não importa quantas vezes você veja, sempre haverá algo para descobrir sobre cada personagem. Culpa de quem? Roteiristas. Com um texto denso, eles revelam os personagens a cada frase, a cada olhar, a cada respiração, a cada pausa; e nós refletimos com cada um deles.

Apesar de cada personagem trazer à tona suas angústias de uma forma específica (afinal são personagens diferentes), acredito que esta segunda temporada tenta tratar de um problema pontual: a solidão. Mas a simplificação de um texto impecável em uma palavra até certo ponto banal não faz jus a esta série. Então vamos tentar detalhar um pouco mais cada personagem.

Mia é a paciente de segunda-feira: 42 anos, advogada, solteira e com uma história com o próprio terapeuta, Paul Weston. Aos 22 anos era sua paciente e no mesmo período teve um relacionamento com ele. Grávida de Paul, optou pelo aborto. O final do episódio da terceira semana, que foi ao ar na última segunda-feira (22), resumiu bem todo o sentimento de abandono da personagem. Ela diz que a única coisa de que precisa é ter alguém no final do dia para conversar, um companheiro.

April, a paciente de terça-feira, possui um tipo de câncer agressivo. Descobrimos logo no primeiro episódio que ela não deseja fazer quimioterapia. Os motivos para esta decisão vamos descobrindo aos poucos: o autismo do irmão, problemas de relacionamento com a mãe, término de um relacionamento com namorado. Talvez April seja a personagem cujos problemas sejam os mais difíceis de ser resolvidos.

Oliver é o garoto da temporada. Seus pais estão em processo de separação e acredita que ele seja o motivo da separação dos dois. Como tudo que fala parece levantar desavenças entre seus pais, ele decide não reclamar mais de nada e apenas falar que está tudo bem com ele.

Walter, alto-executivo e pai que se vê abandonado pela sua filha que viaja para a África, é interpretado pelo melhor ator dessa temporada. Suas sessões ocorrem na quinta-feira. Apesar da crise na empresa dele, o maior problema para ele é o fato de estar longe de sua filha e por isso se sentir rejeitado por ela. Mais uma vez o problema da solidão é tratado.

Paul, como sempre, tem suas sessões com Gina, interpretada brilhantemente por Dianne Wiest. Depois de ter se separado da mulher, Paul revela seus problemas para sua agora terapeuta. Entre tais problemas está o de ele não querer ser como seu pai (ou como pensa que seu pai foi) em abandonar seus filhos e consequentemente ser abandonado por eles. Gabriel Byrne continua ótimo no papel de Paul Weston, o terapeuta que nos quatro primeiros dias da semana parece ter tudo sob seu controle, apenas para que na sexta percebamos que ele possui tantos danos ou mais que seus pacientes.

Com a questão girando em torno da solidão, a segunda temporada de Em Terapia caminha para superar a primeira. Não que isso seja necessário para que a série seja boa. Mas nada melhor que confirmar que sim, é possível mostrar arte na televisão!


domingo, 22 de fevereiro de 2009

Oscar Night!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Mil palavras sobre nossa Cultura


Stephen Marche faz uma relação bastante interessante entre os filmes de terror e o mundo atual na sua coluna "A Thousand Words About Our Culture" (a tradução é o título desse post) na edição de março da revista Esquire. A tradução (livre feita por mim) da coluna segue:

Quando estivermos todos mortos, quando as pessoas estiverem olhando para este período daqui a 100 anos, elas dirão que vivemos na idade do corpo negro. Este é o nome estiloso que os físicos deram para aproximadamente 95% das coisas do do universo que eles simplesmente não entendem. É também uma boa descrição para os swaps de crédito e os outros instrumentos financeiros críticos que causaram o crash econômico - "armas financeiras de distruição em massa", como Warren Buffett os chamou, explicando riscos por meio de algoritmos que ninguém, nem mesmo Warren Buffett, conseguia entender. E de que outra forma explicar algo apresentado através de um programa maligno chamado "Fringe", que não é apenas sobre coisas paranormais malucas, venenos que comem carne, bebês nascidos como homens velhos, parasitas fabricados, e assim por diante. Não: todos esses medos estão amarrados no "Padrão", uma força negra misteriosa evidente em todas as partes mas presente em nenhuma. Nós não estamos entrando em uma Grande Depressão mas sim em uma Grande Incompreensão: nós simplesmente não temos idéia do que esteja acontecendo e nenhuma pista de quão ruim isso vai ficar. Por isso tememos. Nossa condição espiritual no momento, na nossa confusão intelectual, na nossa economia decadente, nas nossas várias guerras contra sabemos lá quem, é uma falta de entendimento que dá medo: tem alguma coisa lá fora. Nós sabemos que deve ser lógico, mas isso é tudo que sabemos.
Dê uma olhada nos seguintes filmes de terror. Os filmes de terror têm a mesma função no século 20 e 21 que os contos de fada tinham para as crianças antigamente - tornar nossos mais amplos e vagos medos  em algo concreto e dessa forma, confortável. Nos anos 50, mutação radioativa e a ameaça de uma aniquilação nuclear se tornaram o "Godzilla", "A Bolha Assassina", as formigas gigantes em "Them!". As Audiências de McCarthy geraram "Vampiro de Almas"; o consumo desesperado do anos 70, aos zumbis fora do shopping em "O Renascer dos Mortos". Os anos 90 viram Natasha Henstridge em "A Experiência" se tornar o ícone para as novas ansiedades sobre manipulação genética. Os filmes de terror nos livra dos medos que inalamos todos dias das páginas dos jornais. Esse é o trabalho deles. Então não deveria ser nenhuma surpresa que as ameaças desse ano venham do saber sem entender. E caixas. Me acompanha: no novo thriller do Nicolas Cage, "Knowing", o herói esconde uma cápsula do tempo,  que contém previsões de todas as catástrofes do mundo. Ele sabe mas ele não entende: esse é o terror dele e o nosso. Em "The Box" do diretor Richard Kelly (será lançado esse ano), um casal recebe uma máquina de madeira que os dá 1 milhão de dólares toda vez que eles apertam um botão, com a condição de que cada vez que a usam, alguém que eles não conhecem, em algum lugar do mundo, morrerá. Essas caixas, que em tempos mais simples poderiam ser fontes de mistério e intriga, tornam-se instrumentos de terror, mas é melhor que nossos heróis confrontem caixas fantasiosas que caixas com que as pessoas realmente precisam lidar no metrô de Nova Iorque, nas praias de Tel Aviv, escondidas debaixo de um assento numa estação de trem em Mumbai, que são muito mais assutadoras: niilismo que ruge, um ódio feroz e vazio do completo do mundo, desconhecido mas também não ignorável.
(...)
Talvez tenhamos que nos livrar do medo do desconhecido e mostrar um pouco de humildade em relação às limitações do conhecimento. Porque isso pode nos apontar para a fragilidade e glória do mundo em que vivemos. Depois de cada bombardeio, nós nos preocupamos com a vulnerabilidade das nossas cidades, mas também nos é mostrado o quão magníficas elas são. 
(...)

sábado, 31 de janeiro de 2009

Flash Mob

Do inglês, "Flash Mob" significa "multidão instantânea". Com o intuito de fazer algo em comum (e por que não incomum), um grupo de pessoas marca via internet um encontro em algum lugar público. Para esclarecer: no dia 20 de julho de 2006, pessoas foram chamadas a pular em um determinado horário. A intenção? Eles explicam: foi uma tentativa de mudar a órbita da Terra...(pausa para julgamento)...Ok! Este foi inútil. Mas e se alguém adaptasse o "Flash Mob" para uma campanha publicitária. A palavra adaptar aqui é justa, uma vez que não foi um "Flash Mob" digamos autêntico. 

Estação de Liverpool, 15 de janeiro de 2009. Uma pessoa começa a dançar, no final....bom, o final vocês podem conferir no vídeo abaixo. E por que não chega a ser um "Flash Mob" autêntico? Obviamente houve ensaios antes da gravação desse comercial. Autêntico ou não, Flash Mob ou não, vale a pena assistir.

sábado, 24 de janeiro de 2009

United States of Tara



Vamos fazer uma análise por partes:

1) Série do canal americano fechado Showtime (o mesmo de Dexter): Bom!
2) Produzida por Steven Spielberg, que tirando a pequena contribuição óbvia para o cinema, produziu para a TV Band of Brothers: Ótimo!
3) A atriz principal é Toni Collette: Excelente.
4) Escrita por Diablo Cody, roteirista vencedora do Oscar em 2008 pelo roteiro original de Juno: not so much...

O primeiro episódio de United States of Tara estava há até pouco tempo disponível no Youtube. A história de uma dona de casa com múltiplas personalidades que são manifestadas em momentos de estresse parece boa. E até é...mas muito devido à ótima atuação de Collette. Cody, por outro lado, parece ter escrito algo para simplesmente "ver no que dá". Mesmo porque o primeiro episódio acaba vazio, sem ter gancho para o segundo. É como se o que estivéssemos vendo fosse um curta metragem e não o piloto de uma série.
Quando estrear no Brasil, muito provavelmente quando a décima temporada estiver sendo transmitida nos Estados Unidos a julgar por Dexter, vamos ver o que a roteirista oscarizada conseguirá fazer com a personagem que dá nome a série. Se bem escrita (e se a audiência americana ajudar), poderá render umas duas ou três temporadas.
Abaixo deixei o trailer da série, já que o primeiro episódio completo já foi retirado do Youtube.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Para começar bem 2009

O Blog do Salomão já está com o Design 2009 e, como em 2008, deixo uma lista das ótimas estréias na TV paga em Janeiro de 2009.

Segunda Temporada de Damages
A primeira temporada foi uma das melhores coisas que foram apresentadas na TV (paga) neste ano. Com um história que prendia do começo ao fim tanto de cada episódio como da temporada inteira, a série protagonizada pela vencedora do Globo de Ouro Glenn Close ainda teve um episódio final que apesar de responder a quase todas perguntas da primeira temporada, deixou ganchos bastante interessantes para a segunda.

Estréia de True Blood na HBO Brasil
Segundo o levantamento feito pela Metacritic, a nova série original da HBO True Blood alcançou a nota 64, alta para os padrões do site. A série tem como roteirista Alan Ball, criador da talvez segunda melhor série da HBO, Six Feet Under (segundo lugar de honra quando se dá conta de que a primeira é Família Soprano) e roteirista de uma obra-prima do cinema americano, Beleza Americana. Em tempos em que livros sobre vampiros bonzinhos salvam meninas angelicais, True Blood vem em bom momento para trazer de volta a maldade desses "seres". Pela chamada apresentada pelo canal, parece que a série está longe de ser para adolescentes, afinal "It's not TV. It's Porn with Emmys". A série é indicada ao Globo de Ouro 2009 como Melhor Série Drama. Difícil ganhar na categoria em que um dos concorrentes é Mad Man, mas já é um bom termômetro para saber o que vem por aí.

A (perdi a conta - acho que é a 8a) temporada de American Idol
Diferentemente da beirando a sofrível versão tupiniquim, o American Idol faz sucesso por lá. É o programa mais assistido da TV americana, o que coloca a FOX como a emissora mais assistida nas semanas em que o programa é transmitido. No Brasil, é transmitido pelo canal Sony com às vezes 2 semanas de atraso, outras com apenas 1 semana. Ainda diferentemente do Brasil, os ídolos escolhidos lá fazem não apenas sucesso no país que os revelou como também no resto do mundo. Vale citar Kelly Clarkson e Jordin Sparks. A série já está há alguns anos na categoria "Guilty Pleasures" ou "Programas a que Assisto mas Ninguém Precisa Ficar Sabendo".

A 5a Temporada de LOST
Esse pessoal aí em cima saiu da ilha mas precisam voltar. Tem um pessoal que ficou na ilha, mas onde está a ilha agora? A quinta e penúltima temporada parece que será apenas um gancho para a derradeira e mais que aguardada última temporada que irá ao ar em 2010. Queremos saber: Who the hell is Jacob?

The House of Saddam
Temática política em um canal nada conhecido por ser politicamente correto. O que esperar? Polêmica. "It's not TV. It's Controversy with Emmys".

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Minha lista de filmes de 2008

Este ano foram tantos, que a lista pulou de 5 para 10. A contagem é regressiva.  

10. Piaf - Um Hino ao Amor (La Môme; França / República Tcheca / Inglaterra; 2007)

9. Feliz Natal (Feliz Natal; Brasil; 2008)

8. Antes que o Diabo Saiba que Você está Morto (Before Devil Knows You're Dead; Estados Unidos; 2007)

7. Desejo e Reparação (Atonement; Inglaterra; 2007)

6. Onde os Fracos Não Têm Vez (No Country for Old Man; Estados Unidos; 2007)

5. Wall-E (Wall-E; Estados Unidos; 2008)

4. Sangue Negro (There Will Be Blood; Estados Unidos; 2007)

3. O Escafandro e a Borboleta (Le Scaphandre el le Papillon; França / Estados Unidos; 2007)

2. Na Natureza Selvagem (Into the Wild; Estados Unidos; 2007)

1. Sinédoque, Nova Iorque (Synecdoche, New York; Estados Unidos; 2008)

Fatos que valem ser lembrados:
  • Penelope Cruz e sua fala em Vick Cristina Barcelona: "Vodka"
  • Charlie Kaufman e sua estréia na Direção em Sinédoque, Nova Iorque
  • Daniel Day-Lewis e a cena final de Sangue Negro
  • O plano-seqüência na praia em Desejo e Reparação
  • Marrion Cotillard e sua atuação na cena em que reencontraria seu amante, em Piaf

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

We've got Film Festival!

A minha semana de carnaval chegou! Meu carnaval fora de época é em outubro! Na verdade, a minha semana de carnaval dura duas semanas! Sim: 32a Mostra de Cinema de São Paulo! 

Sexta-feira: O Casamento de Rachel (Rachel Getting Married). 

Posso comparar meu começo de Mostra como o longo trânsito das estradas na sexta-feira pré-feriado de carnaval: é cansativo mas não ficamos tristes porque ainda temos um longo feriado pela frente. O primeiro motivo que me leva à comparação é mais óbvio: uma hora e meia (quase duas) de Barueri até a Paulista; mas como todo paulistano, já estou acostumado. O segundo é relacionado ao filme: a idéia por parte do diretor Jonathan Demme de filmar com a câmera na mão para dar ao filme o ar de vídeo caseiro é bastante interessante...até os primeiros 40 minutos. Depois disso o filme se torna cansativo e parece só ficar interessante novamente nos minutos finais. Chegando a mais ou menos 1 hora e meia, eu meio que me perguntava no meio de tantas cenas que pareciam apenas estar ali para o filme ser considerado longa-metragem: mas a que eu estou assistindo mesmo? Lembrei: à história de uma menina ex-viciada que volta para casa para participar do casamento de sua irmã, a tal Rachel. E a comparação? Sabe quando você está no começo da serra e pensa: acho que esse trânsito não vai durar até o final? Mas quando você está no meio você percebe que a sua ida à praia será mais lenta do que imaginava e você quer voltar. Não que eu quisesse desistir da história de Kim no meio, mas que eu queria que acabasse logo...isso eu queria. 
Um trunfo do filme e que talvez evite que ele caia no total marasmo é definitivamente a personagem principal  e a atriz que a interpreta, Anne Hathaway. No início tudo parece conspirar para mais um filme sobre uma rebelde sem causa, cujos pais divorciados são para ela a desculpa para o vício. Com o passar das cenas, porém, descobrimos que ela não só tem uma causa para estar do jeito que está como também ficamos pensando como seria a nossa vida se nos tivesse acontecido a tragédia que aconteceu com ela. Além disso, ela está longe de odiar a família. É amada pelo pai, pela irmã (e talvez pela mãe) e os ama também. O conflito principal está no fato de por amá-los tanto, existe o medo (e consequente policiamento) constante por parte dela própria de destrui-los (a cena em que todos estão na cozinha disputando quem carrega a máquina de lavar mais rápido exemplifica o poder que a ela acredita ter em destruir sua família).
Mas o filme não seria nada sem uma trilha-sonora. Mas como trazer para o universo diegético (meu curso de cinema está valendo a pena) algo que na maioria das vezes é extra-diegético? Simples: ponha a banda que vai tocar no casamento nas sequências dentro da casa. Não tão simples: para quebrar o cansaço que o som do violino causa durante o filme, escreva para a personagem principal a seguinte fala - "Eles vão ficar tocando o fim-de-semana inteiro?".
Essa tenha sido talvez a frase mais cômica e propícia para um filme duro como este (acredito que toda a platéia naquele momento queria que aquele violino parasse). Mas o cansaço chega e quando chega, você não vê a hora de chegar na praia. E como para descansar, o diretor coloca na cena final (mais precisamente nos créditos), a cena melancólica de uma Rachel apreciando a banda que ainda toca...(eu fiquei até o final dos créditos esperando que ela gritasse "Shut up!" - (in)felizmente isso não aconteceu).

Sábado: Leonera (Leonera).
Cheguei à praia; e ela fica no Cine Bombril novamente! Sem ter lido alguma crítica sobre o filme argentino, a única informação que tinha era que...enfim...ele era argentino. OK! Estamos numa mostra, mas precisa ter fotógrafo? Aparentemente sim. Mas espera...pessoas de pé na sala? Sim! Mas que falta de organização! Não. Os ilustres convidados e para quem câmeras apontavam eram nada mais nada menos que o diretor argentino Pablo Trapero e a atriz que interpreta a protagonista, Martina Gusman. Grata surpresa! Entre alguns "Buenas Noches!" y "Yo no hablo portugués pero un poco portuñol", a simpática atriz e seu marido diretor dão as boas-vindas à platéia que veio apreciar Leonera.
Confesso que não sou fã do cinema argentino! Mas se não fui fã ferferoso de Leonera, pelo menos "la película me hizo cambiar algunos de mis conceptos". Como o diretor explicou no debate a origem do nome, a palavra "leonera" assume dois sentidos: o primeiro como sendo o lugar de "madres leonas", aquelas protetoras (como devem ser as mães que tem que criar seus filhos nas prisões); o segundo, como o lugar onde as mulheres presas esperam para falar com seus familiares na prisão (um local de transição - como aquela pela qual a personagem passa).
O mérito desse filme, além da ótima interpretação de Martina como uma presidiária que dá a luz um filho do homem que talvez tenha matado, está no roteiro que deixa muitas questões em aberto. Agumas delas: existe uma relação de amor entre ela e seu filho ou seria apenas interesse por parte da mãe em ficar em uma parte da penitenciária supostamente melhor? Ela amaria a outra presidiária ou apenas tira dessa relação a vantagem de ter alguém para cuidar de seu filho?
A ótima não obviedade do roteiro só perde para a excelente obviedade do diretor quando, no debate pós-filme, responde a uma pergunta feita por um fã-espectador sobre seus diretores favoritos: Pablo gosta dos diretores dos quais a maioria cinéfila gosta...quanto aos outros bem menos conhecidos, "no vale la pena mencionarlos".

Domingo: Sonata de Tokio (Tokyo Sonata)
Foi difícil, mas valeu a pena. Alguns milhares de torcedores do Palmeiras e algumas dezenas de policiais depois, eu cheguei ao cinema. Poderia aqui filosofar sobre todas as tribos que compõem a nossa paulicéia, mas como escritor eu sou um ótimo degustador de pizza, vou fazer como o diretor Kiyoshi Kurosawa e deixar os clichês de lado.
Como o fim de carnaval melancólico, meu domingo chegou ao fim com a cena memorável de um garoto tocando piano em um salão onde adultos o admiravam. O silêncio da platéia que ocupava o mesmo espaço-tempo que o garato foi interrompido pelos aplausos da platéia que o admirava a milhares de quilômetros e a meses de distância, platéia da qual eu fazia parte. Não bati palmas: talvez pelo fato de no momento ainda digerir o que havia acabado de assistir; talvez pela melancolia do fim da sessão.
Andando pela rua, ouvindo o som da torcida que vinha do estádio, a melancolia foi substituída pela sensação de um carnaval ainda não terminado, porque mesmo que a data oficial do fim do carnaval seja a quarta-feira de cinzas, o brasileiro só volta à realidade na segunda-feira da semana seguinte, depois do Fantástico. O meu carnaval, para a minha alegria, só termina daqui duas semanas.

Próxima sexta-feira: Queime Depois de Ler (Burn After Reading).